Cerca de 1,2 mil professores participam de passeata em Curitiba
Mobilização acontece há 22 anos para lembrar ao governo dos direitos da categoria. Professores fazem caminhada até o Palácio das Araucárias durante a manhã e têm reunião com o governador à tarde
30/08/2010 | 10:08 | Fernanda Trisotto, Vitor Geron e Isadora Rupp atualizado em 30/08/2010 às 19:47
Professores da rede estadual de educação realizam a tradicional mobilização da categoria nesta segunda-feira (30). As aulas nas escolas estaduais são paralisadas para que os docentes possam ir às ruas fazer as reivindicações da categoria. Este ano, o mote da manifestação é “30 de agosto: pelo avanço, contra o retrocesso”. Segundo o levantamento da Polícia Militar, cerca de 1,2 mil pessoas estão participando do ato. Por volta do meio-dia, os professores já estavam na Praça Nossa Senhora de Salete, depois de uma passeata pelo centro da cidade.
Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná (APP – Sindicato), Marlei Fernandes de Carvalho, cerca de mil pessoas estavam concentradas na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, por volta das 9h40. “Caravanas de professores de todo o estado já chegaram aqui e os professores de Curitiba estão vindo para cá”, diz. Os professores se reuniam para uma caminhada até o Palácio de Governo, no Centro Cívico.
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Em Curitiba, manifestação começou na Praça Santos Andrade
Além da caminhada, o dia foi marcado por uma reunião com o governador Orlando Pessuti. No encontro, ficou acertadado que será estudada uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garanta o aumento salarial inicial, que passaria dos atuais R$ 1.900 para R$ 2.560, em um futuro próximo.
A comissão de professores da APP também confirmou com o governo o pagamento de uma folha complementar, já que havia atraso em promoções e progressão de carreira há um ano. O restante do valor será pago junto
com os salários de outubro, novembro e dezembro, o que vai significar, segundo a presidente da APP, cerca de R$ 1 milhão a mais para a folha de pagamento dos professores. Em média, 18 mil pessoas terão direito à folha complementar.
Além da luta pela melhoria do salário, a categoria abordou também a nomeação de cerca de cinco mil funcionários e três mil professores que já foram aprovados em concurso e precisam ser admitidos. O governador garantiu chamar os funcionários no dia 5 de setembro, e os professores,
após o dia 20. Outra reivindicação é a melhora na infraestrutura do Sistema de Assistência à Saúde (SAS), dos professores. "Travamos este debate na reunião. É um atendimento muito precário e que não dá conta de atender toda a categoria. O governo vai aguardar o envio de nossas propostas", diz Marlei.
Itinerário
A caminhada dos professores provocou algumas paradas no trânsito. De acordo com a Diretoria de Trânsito (Diretran), da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), os professores passaram pelas Avenidas Marechal Deodoro e Marechal Floriano e contornaram a Praça Tiradentes. Eles seguiram para Rua Barão do Cerro Azul e Avenida Cândido de Abreu, até a chegar na Praça Nossa Senhora de Salete. Agentes da Diretran acompanharam o percurso e orientaram os motoristas nos trechos onde houve necessidade de bloqueio parcial da pista ou tráfego em meia pista.
Interior
Os professores do interior do estado, que não vieram participar da mobilização em Curitiba, estão participando de manifestações em suas cidades. Em Londrina, no Norte, aproximadamente 100 professores da rede estadual participam do protesto. Os profissionais estão concentrados no Calçadão, onde distribuem panfletos e realizam discursos para mostrar para a população a pauta de reivindicações da categoria.
Em Maringá, na região Noroeste, cerca de 95% dos professores e funcionários dos colégios estaduais da cidade e de outros 22 municípios próximos aderiram a mobilização. A estimativa é de que mais de 60 mil alunos fiquem sem aula nos períodos da manhã, da tarde e da noite na região.
Dos quase 6 mil professores e funcionários que atuam nos 87 colégios da região, dos quais quase 2,5 mil são de Maringá, cerca de 50 foram para Curitiba, para participar da passeata.
Reivindicações
As reivindicações dos professores englobam pedidos de reajuste salarial, atendimento de saúde e redução de alunos por turma. Os trabalhadores requerem equiparação salarial de 25,97%, pagamento de promoções de professores e funcionários e do cargo de 40 horas, substituição de quem estiver em licença especial e médica, implantação de um piso salarial e pagamento de auxílio transporte e período noturno aos funcionários. Além disso, eles pleiteiam um atendimento de melhor qualidade à saúde dos trabalhadores, a redução do número de alunos por turma e a ampliação do porte das escolas.
História
Em 1988, os professores estaduais faziam a manifestação de 30 de agosto quando foram reprimidos pela polícia em frente ao Palácio do Governo. Na época, a categoria estava em greve e exigia do então governador Alvaro Dias o pagamento de um piso salarial de três salários mínimos. Desde então, em razão da violência com que a manifestação foi reprimida, a data se tornou o “dia de luto e luta dos trabalhadores em educação pública”.
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