Fernando Buttenbender Prass










Neste post vou republicar um entrevista feita por alunos do Colégio Estadual Professor Algacyr Munhoz Maeder, em um projeto que originou a ideia deste blog. No momento atual o Goleiro Fernando, após alguns anos da Europa, voltou este ano 2009 para o Brasil e esta alguns jogos para se sagrar Campeão Brasileiro da Série B pelo Clube Regatas Vasco da Gama do RIO DE Janeiro. Leia, então:

No dia 26 de maio de 2005, feriado de Corpus Christi , ás 13:00 tivemos a honra de conhecer um pouco mais sobre a vida de Fernando Buttenbender Prass, ou simplesmente o goleiro Fernando, titular do Coritiba Foot Ball Clube, no Centro de Treinamento da Graciosa .
Fomos muito bem recepcionados pelo assessores de imprensa ; Adriano Rartmann e Rodrigo, que nos levaram para conhecer todo o departamento de futebol e seus diretores, o Presidente Giovani Gionédes e o elenco de jogadores que nos deram autógrafos e com quem tiramos fotos . Na ocasião, entrevistamos o Fernando que durante toda a entrevista se mostrou ser uma pessoa simpática , divertida , muito humilde e devotado a sua família . Ele se emocionou, sempre que falou de sua família, falando com respeito e carinho . Dias depois, sua transferência para Portugal foi negociada. Hoje esta no União de Leria, ao lado de grandes brasileiros. Sua carreira como goleiro do Coritiba foi brilhante e nesta entrevista surpreendente ele revela sua personalidade e integridade as alunas: Bruna Vidal, Laila Escaliante, Vanessa de Lima e ao professor Carlo Vicente Ramirez, com fotos de Rodrigo Ramirez.

Bruna Vidal - Como foi que você percebeu que levava jeito para jogar Futebol ?
Fernando - Eu jogava em um escolinha na minha cidade, Porto Alegre. Treinávamos só nos finais de semana. Era mais alguns times que jogava um torneio. Depois que um numero maior de pessoas começou a freqüentar os jogos começamos a fazer tipo uma escolinha com treinos durante a semana. Mas até ai era só brincadeira.

Bruna Vidal - Como começou a carreira ?
Fernando - Então, nessa escolinha começou a ter treinos durante a semana, mas até aí era brincadeira .Teve um campeonato na praia, Chamado Moleque Bom de Bola, e a gente fez um time para participar .Neste campeonato , tinha um pessoal do Grêmio Portoalegrense que assistiu os jogos e me convidaram para ir para lá . Em 91 , tinha treze anos, nem fiz teste e comecei a treinar diariamente e me profissionalizei em 1999, no próprio Grêmio de Porto Alegre, onde fiquei até 2000.

Bruna Vidal - Você jogava fut-sal, e por quanto tempo ?
Fernando - Eu comecei a jogar fut-sal, em 1986 até 1991 , e naquele torneio que falei, o jogo era na areia. E o futebol de campo eu comecei em 91 no Grêmio.

Bruna Vidal - Você jogou com o Diego - Goleiro do Atlético - no Grêmio ? Vocês são amigos ?
Fernando - Joguei sim com o Diego no Grêmio, dois ou três anos no juvenil até ele ir para o Juventude, de Caxias em 94, e eu fiquei no Grêmio até 2000. Nestes quase dez anos nos só nos encontrávamos em jogos. Ele foi para o Juventude e eu para o Vila Nova de Goiania, ficando bem distantes .

Bruna Vidal - Você jogava em equipes colegiais , assim como nós ?
Fernando - Jogava fut-sal em equipes de colégio e também Vôlei até o segundo grau quando parei. Até por que, foi nesta época que comecei a treinar no infantil do grêmio e depois veio o Juvenil e Junior, com tempo dedicado por completo ao futebol , disputando Campeonatos em Porto Alegre e Gaúcho.

Bruna Vidal - Você praticava outros esportes ?
Fernando - Sim., eu jogava vôlei, basquete, mas antes de entrar nas categorias de base do Grêmio, quando tive que parar de jogar pelo colégio.

Bruna Vidal - Você começou a jogar no gol por que gostava ?
Fernando - Eu disputava este torneio da praia e um dia nosso goleiro não foi, e ai tiveram que escolher alguém para ir pro gol. Então decidimos que cada um iria jogar um jogo na posição de goleiro. Eu fui o primeiro e fui bem. Nosso time estava ganhando e os caras falaram; " ha não, vai ficando", e eu fiquei. No outro final de semana também joguei e acabei não saindo mais.

Prof. Carlo - Você fazia gol também, era artilheiro?
Fernando - Não , não . Só na Marcação, sempre fui da parte defensiva. ( risos )

Bruna Vidal - Uma curiosidade, o que passa por sua cabeça quando o atacante vai bater um pênalti ?
Fernando - A hora do pênalti é a hora mais tranqüila para o goleiro, por que toda a responsabilidade é do atacante. Durante o jogo é mais complicado, você não tem como ir buscar o jogo. O goleiro fica exposto as circunstancias do jogo. As vezes não vem uma bola no seu gol e quando vem se você toma o gol , se isto acontece, não tem como você pedir para o atacante chutar outra bola para você se recuperar. Se é o lateral, ou o atacante , e ele erra ,ele pode pedir para fazer outra jogada, já o goleiro não. E na hora do pênaltis toda a responsabilidade, passa para o atacante. A bola esta ali parada e o goleiro não pode dar um passo para frente e nem se mexer. A obrigação de fazer o gol e do atacante e não do goleiro em defender, é com certeza a hora mais tranqüila para o goleiro.

Bruna Vidal - Se você não fosse jogador de futebol o que gostaria de ser ?
Fernando - Difícil responder, por que tem gente que começa a jogar mais tarde. Outras, escolhem carreiras diferentes. Mas, como eu comecei cedo, nunca tinha parado para pensar no que seria se não desse certo e graças a Deus deu certo. Por que se não desse certo eu ficaria meio perdido.

Prof. Carlo - É ai que entra a importância do ESTUDO !
Fernando - Aconteceu comigo! Lá no Grêmio nos éramos em 9 goleiros. Destes 9 , ficou apenas eu, o Diego e o Eduardo do Juventude. Da um pouco mais de 30% , è uma amostragem do que acontece com muito garoto não consegue. Tem também aquela ilusão de que o futebol dá muito dinheiro. Tem até uma pesquisa onde se conclui que apenas 1 % dos jogadores profissionais ganham bem ou atuam em clube com estrutura como esta do Coritiba Foot Ball Clube. O restante joga como eu já joguei em times como o Francana, de São Paulo, que não tinha as mínimas condições. Lá eu joguei 6 meses e meio e recebi 2 meses de salário, fiquei 4 meses sem receber. Então, é uma ilusão muito grande que se cria e se esquece do resto. A T.V. só mostra jogadores como o Ronaldo ,o Roberto Carlos ou o Beckham. Aparece só os que deram certo. A T.V. devia mostrar os clubes do interior que estão em dificuldades. Mas não aparece por que não é interessante.

Bruna Vidal - Para a gente é ainda mais difícil .Muita gente diz que o futebol feminino não dá futuro!
Fernando - Na época do meu pai falavam isto do futebol. Tinha um preconceito muito grande. Ainda tem. Mas esta diminuído isto. Isto se deve ao perfil jogador de futebol que esta mudando. Se você entrevistar algum jogador da década de 60 ou até 70 você vai ver que era isto que pensavam dos jogadores de futebol .Hoje em dia esta visão esta mudando, por que o perfil do jogador de futebol esta melhorando.

Bruna Vidal - Aproveitando, o que você acha do futebol feminino . Você também acha que mulher não leva muito jeito, ou que futebol é só para homem ?
Fernando - "Não tem nada a vê ". De repente o futebol feminino não esta tão evoluído ao nível do futebol masculino, por causa deste preconceito. Até bem pouco tempo as pessoas achavam que não era coisa para mulher, deixando elas um pouco de lado. A partir do momento que você tiver igualdade de estrutura , oportunidade e qualidade de trabalho a mulher vai evoluir no esporte. O homem é a mulher tem a mesma capacidade, e só você comparar ao tênis, atletismo, vôlei e outro esportes. É claro, que não tem a mesma condição física mas tem uma condição muito próxima.

Bruna Vidal - O que você pretende fazer quando parar de jogar ? Ser técnico ?
Fernando - Olha não sei. Se eu parasse hoje, eu não ficaria no meio do futebol. Porque, as pessoas que vem de longe pensam que a gente chega no final de semana e é só chegar no estádio cheio, e jogar e dai vai para casa. As pessoas só focam o jogo que é a parte boa .Mas na verdade tem a semana inteira. Tem os treinos desgastantes, as viagens, as concentrações. Este ano por exemplo. Nos estamos quase no mês de junho. A minha primeira folga no final de semana foi agora , por que eu machuquei na semana passada. Ou seja, em um ano, fui ter um final de semana de folga. São muitas viagens. O técnico ou o preparador físico , também tem que concentrar junto, viajar, sacrifica muito a família .A gente passa muito tempo longe da família.

Prof. Carlo - É , além disto tem aquela preocupação de que a vida do jogador de auto nível é curto, são apenas dez anos !
Fernando - É as pessoas vem o jogador de futebol e pensam.:" O cara foi lá e jogou no Domingo e resto da semana, não fez nada" . Mas não o jogo é o mais tranqüilo, é a melhor parte .Você abra mão da família. Faz seis anos que eu moro longe e vejo minha mãe duas ou três vezes por ano. Minha irmã, quase não vejo. O meu pai eu vejo mais vezes por que ele vai assistir alguns jogos. Então, quando eu parar vou tirar cinco ou seis anos para ver se sinto falta. Quero curtir minha família, depois destes anos , se der saudades eu volto para trabalhar com o futebol.

Bruna Vidal - Eu percebo que você é muito apegado a sua família. Mas você tem planos de jogar na Europa. longe dela ?
Fernando - Tenho vontade de jogar na Europa. É claro que vivendo no Brasil e mais fácil de ver a família. Mas jogar na Europa é uma experiência que todos querem ter. Conhecer um outro país e uma outra cultura. Eu já joguei no Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiânia e agora em Curitiba. A gente aprende e convive com muitas coisas diferentes. Se tiver a chance tem que aproveitar, por que o profissional tem que pensar na família mas a carreira é muito curta . Não pode ficar se prendendo a saudades. Se não passa o tempo e você não realizou todos seus sonhos. As vezes o profissional tem que arriscar, se não der certo, pelo menos você tentou. Eu não quero pecar por omissão. Tenho vontade de jogar na Europa.

Bruna Vidal - Qual foi o maior obstáculo que o futebol te ajudou a superar ?
Fernando - Olha, eu nunca tive problemas financeiros. Como a maioria dos jogadores de futebol. Minha família sempre teve uma condição boa. Minha mãe sempre trabalhou e meu pai é advogado. Mas eu sempre tive em mente de que o que minha família tinha, era dela. Ela que tinha conquistado. Eu tinha que conquistar a minha independência. Eu sempre corri atrás. Inclusive, naquele clube que eu falei que fiquei sem receber, eu nunca precisei pedir nada para a minha família, eu sempre "caminhei pelas minhas pernas" . Foi uma experiência que me ensinou muito no começo, por que hoje estou aqui no Coritiba vivendo esta estrutura e com todas as condições de trabalho que nos precisamos. Agora quando acontece algum situação ruim eu tiro de letra e não reclamo, por que vive muitas dificuldades no começo.

Prof. Carlo - Fernando, você se considera uma pessoa melhor por causa do esporte? Qual e melhor aprendizado que você tirou do esporte?
Fernando - No futebol você convive com muitas pessoas de várias regiões do Brasil e até fora do pais. Pessoas de várias classes sociais e cada um tem seus tipos de problemas. E como eu já falei, a gente passa mais tempo com estas pessoas do que com sua própria família. No início da temporada, a gente chegou a conviver por mais de 20 dias com estas pessoas. Tu aprende a lidar com as pessoas, aprende a ouvir e a saber quando eles tem problemas. As vezes quando tu também tem problemas você conversa com seu companheiro de quarto , que no momento esta é a pessoa que esta mais perto de você. A gente aprende a conviver com as pessoas valorizando cada uma destas pessoas. As vezes seu problema é muito pequeno perto dos problemas das outras pessoas. Afinal de conta, em início de temporada ,são mais de 22 jogadores , cada um com sua mania e tem conviver junto, por mais de 20 dias.

Bruna Vidal - O ex-jogador, Alfredo di Stephano, tem um monumento em seu jardim em homenagem " A Bola ", com uma inscrição: Obrigado, amiga bola ! O que você acha que isto simboliza ?
Fernando - Eu acho que ele quis dizer neste símbolo é que tudo que ele conquistou na vida foi em função do futebol. Não é só na questão financeira e sim na pessoal .Ele conheceu sua esposa, através do esporte e com ela , ele constitui sua família. Então, tudo que ele conquistou foi através do futebol, e graças a bola.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CORITIBA ELIMINADO NOS PENALTIS

CEPAMM 5 X 2 Colégio Militar de Curitiba