Blog: Comer sem culpa

Blog : Comer sem culpa

21/01/2011

A venda ilegal e o comércio criminoso dos esteróides anabólicos
Há cerca de dois meses, recebemos um telefonema de uma farmácia de Bragança Paulista com a informação de que eles estavam de posse de cerca de dez receitas de anabolizantes com um carimbo com o meu nome e CRM, além de uma falsa assinatura, é claro. Foram utilizados receituários de uma importante instituição médica de ensino daquela cidade. Apesar de conhecermos situações semelhantes a essas, a sensação que tivemos foi de total insegurança e risco profissional. Primeiro, porque receitas de anabolizantes nunca seriam nossas e segundo, porque pessoas poderiam apresentar efeitos colaterais graves e nós poderíamos ser indiciados por isso. Além do mais, quantas outras receitas como essas já não foram aviadas com o meu CRM? Nas outras farmácias da mesma cidade e em outras cidades. Restou-me fazer um Boletim de Ocorrência e conviver desde então com clara percepção do poder paralelo da venda ilegal dos anabolizantes.
A internet facilitou a expansão desse mercado paralelo e tem distribuído milhares de caixas de esteróides em todo o mundo. Diversas plataformas e serviços da rede mundial oferecem a troca de informações acerca da combinação de drogas, dosagens, efeitos colaterais, além de venderem os produtos. Com a disseminação promovida pela Internet, tais drogas, anteriormente muito caras e difíceis de serem encontradas, passaram a ser comercializadas a preços competitivos e acessíveis, sendo distribuídas para o mundo todo. Uma pesquisa no Google, em março de 2007, revelou 47.500 novas citações acerca do tema, um aumento de 400%, em relação à mesma busca realizada em 2002.
A gravidade do problema requer um esforço conjunto da polícia, órgão de vigilância sanitária, médicos e Conselhos de Medicina, farmácias de manipulação, academias de ginástica e sociedade civil. Além disso, a informação deve ser a primeira medida de combate ao uso dessas drogas, sendo a família e as escolas as primeiras responsáveis por sua veiculação. Somente assim podemos impedir a venda ilegal e o comércio criminosos dos esteróides anabólicos.
Por Citen às 09h51
19/01/2011
O surgimento e a propagação dos esteróides anabólicos
A partir dos anos 50, os atletas conheceram os hormônios masculinos ou esteróides anabólicos ou andrógenos, em linguagem médica. O abuso dessas substâncias se espalhou por todas as modalidades esportivas, principalmente, entre aquelas cujo sucesso depende da força muscular ou da velocidade de recuperação durante os treinamentos. Nos anos 60 e 70, o abuso dos hormônios masculinos ficou restrito ao mundo dos esportes e à sua elite, mas, em 1976, o Comitê Olímpico Internacional proibiu o uso dos esteróides nas olimpíadas.
A história estava apenas começando, pois no final dos anos 70, o fisiculturismo competitivo ganhou popularidade e conquistou a mídia de massa, encantando os jovens com a possibilidade deles terem aqueles corpos que eles viam nas revistas e na TV. Nos anos 80, o abuso dos andrógenos se propagou no mundo esportivo e nos lares dos jovens ocidentais. Adolescentes e adultos jovens passaram então a usar hormônios masculinos com o objetivo de melhorar a aparência e não para o engajamento em competições atléticas.
O reconhecimento público do uso dessas drogas nos esportes data de cerca de 20 anos atrás, quando Ben Johnson perdeu sua medalha de ouro no atletismo, após um exame anti-doping nos Jogos Olímpicos de Seul. Esse fato levou o Congresso dos Estados Unidos a classificar os esteróides como drogas controladas, em 1991. Em 1999, os americanos criaram uma agência mundial de anti-doping, a WADA – World Anti-Doping Agency. A despeito de todas essas medidas, a droga usada por Ben Johnson, um hormônio masculino usado em medicina veterinária, ficou famosa em todo o mundo. E o abuso desses hormônios se propagou das elites esportivas para as academias, colégios e universidades, seduzindo a garotada, inclusive as meninas.
Por Citen às 08h28
17/01/2011
Um sonho de beleza e uma ilusão de saúde
O abuso de hormônios em nome de um corpo perfeito

Quem passou pela puberdade há mais de 20 anos pode comparar os jovens e adolescentes de hoje com aqueles daquela geração. Os últimos não faziam o tipo atlético, tão comum nos dias de hoje... Tipos atléticos estão em todos os lugares, dentre os nossos parentes, vizinhos e  ídolos de TV e cinema. Reparem em seus corpos, em seus músculos e no orgulho deles em relação aos seus atributos. O que vem acontecendo com os meninos, hoje? De onde vêm bíceps, tanquinhos e peitorais bem definidos e depilados?
De uma maneira geral, adolescentes e jovens rapazes não conseguem desenvolver naturalmente músculos tão hipertróficos apenas por meio da realização de atividades físicas. Nos meninos, os hormônios masculinos e o estirão de crescimento é inclusive mais tardio, em relação ao que acontece com os corpos das meninas. E não há hipertrofia muscular sem hormônios masculinos em excesso. No homem adulto isso pode ocorrer após muita musculação, mas até nesses casos, as proporções da musculatura alcançam um limite, normalmente imposto pelo tempo que se dispõe para freqüentar as academias. Assim, quando observamos as proporções corporais desses meninos, chegamos à conclusão de que alguma coisa não fisiológica está acontecendo com eles.
Em nossa prática clínica, tem sido cada vez mais comum atendermos esses meninos, tão ansiosos por músculos e proporções corporais incompatíveis com suas idades. Juntos deles, vem os pais, aflitos, perdidos e com a expectativa de que consigamos convencer seus filhos a não usar os suplementos e esteróides anabólicos. Infelizmente, nossos argumentos encontram muito pouco eco nas opções desses meninos. Eles já chegam com um padrão de beleza e uma ilusão de saúde fortemente arraigados, os mesmos que vemos todos os dias estampados nas capas de várias revistas em uma apologia insana e cruel.
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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -
Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.

Dra. Amanda Epifânio Pereira -
Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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